Depois de passar a maior parte do reboliço das manifestações do período das Copa das Confederações pude através das conversas que tive com meus amigos, dos pronunciamentos dos chefes dos executivos e legislativo federal ter uma opinião mais concreta sobre o processo e emiti-la através deste post.
É inegável que as manifestações ocorridas foram um avanço no que diz respeito a atuação da população no processo político brasileiro. As manifestações trouxeram demandas que possuem um caráter mais imediato e uma discussão mais generalizada sobre os problemas.
A defesa da Presidenta Dilma correlata a reforma política traz, na minha opinião, o centro de todo o problema. A estruturação do sistema político brasileiro, com três poderes e esferas de representatividade, produz todo o cenário de construção das políticas públicas, dos partidos políticos e da máquina da administração pública. As esferas de representatividade e a sociedade brasileira não avançaram em promover um processo de participação popular mais próximo e continuo.
Hoje, o processo eleitoral, que configura o único instrumento de participação com abrangência nacional, é muito criticado mas traz uma cruel verdade: A população, de quatro em quatro anos, legítima o que, hoje, crítica. Ela é coautora junto com as esferas de representatividade.
Neste momento, a reforma política, defendida pela Presidenta, é um dos caminhos para acentuar ou restringir a participação popular na produção das políticas públicas.
Os exemplos de participação mais próxima e com processo contínuo podem ser observados nas experiências de Belo Horizonte e Porto Alegre com o orçamento participativo. Belo Horizonte, em especial, é tratada no documentário "OP BELÔ" , que retrata o processo do instrumento da sua criação em 1993 até 2010.
Com relação as demandas das manifestações, acredito que elas devem avançar para uma crítica mais específica em todas as temáticas. Pra avançar o discurso acredito que é preciso:
- Buscar informações do que está sendo realizado pelo gestores públicos. Criticar algo sem conhecer é um ato irresponsável;
- Definir alternativas para responder aos problemas. Criticar sem alternativas não contribui em nada;
- Acompanhar a produção de leis, a implementação das políticas públicas e na atuação de seus representantes;
- Parar com esse discurso apartidário. Estamos em um contexto representativo e partidário e enquanto isso não for mudado em uma possível reforma política, não adianta ficar xingando partido político. Se não gostou das opções, crie um novo e vai a luta;
- Priorizar nas demandas a ampliação dos canais de participação popular e de transparência pública.
Nesse contexto acredito que críticas responsáveis e com escopo construtivo são necessárias. A minha crítica mais recente é sobre a integração da Transcarioca com a Transbrasil, mas vamos deixar pra um próximo post.
Aquele abraço...