quarta-feira, 24 de julho de 2013

Precisamos de algo mais que um "Choque de Ordem". Alerta sobre a responsabilidade do poder público e dos cidadãos e do direito de qualidade de vida para todos

Revisão: Luciana Pereira Senrra

Há algum tempo venho me preocupando com a gestão dos espaços públicos e com o gerenciamento da infraestrutura urbana. Em minha viagem semestral de Belo Horizonte para o Rio observo as melhorias, problemas e dificuldades no que cabe ao tema de minha preocupação. Como dizia o samba da Portela: "Recordar é viver", e buscando lembranças no que diz respeito à gestão dos espaços públicos, podemos dizer que o programa Rio Cidade é um filho abandonado pelos pais. Fruto da gestão César Maia e Conde, o Rio Cidade foi um projeto de requalificação que prometeu trazer mais qualidade ambiental para a vida dos cariocas. Foi foco de muita discussão com críticas e elogios, e deixou um legado de intervenções nos centros dos bairros e em áreas consideradas estratégicas para a prefeitura. A euforia da inauguração passou, e os projetos foram enfrentando os problemas que todas as intervenções urbanísticas podem enfrentar: vandalismo, problemas de projetos e má gestão da manutenção.

O Rio Cidade foi um grande projeto que nunca foi apresentado a um programa de gestão dos espaços públicos. Acredito que os problemas não podem ser resolvidos apenas com a realização de um grande projeto. O projeto é apenas um dos instrumentos para a ordem urbana e deve ser complementado com ações de educação urbana, de melhoria dos potenciais socioeconômicos locais e, na presença da prefeitura, com monitoramento periódico, implementação de planos de ação de curto, médio e longo prazos, fiscalização educativa e manutenção dos serviços e equipamentos.
   
Por outro lado existe o problema do comprometimento do carioca com a gestão de sua cidade. A Secretaria Municipal de Educação em conjunto com a Secretaria Municipal de Urbanismo vem desenvolvendo o projeto de educação urbana nas escolas da cidade¹. Essa iniciativa é louvável, pois mostra que é responsabilidade de todo morador ter respeito e cuidado com a sua cidade. No entanto, o programa permanece limitado com atendimento se restringindo ao Centro, a Zona Sul e a Grande Tijuca.
   
    Na contrapartida existe um pensamento do tipo: "Está tudo uma zona!", "Pra que eu vou me importar com isso!", "Ninguém tem cuidado mesmo!". Acredito que esse é um dos grandes desafios a enfrentar. O ciclo que alimenta o desânimo e a apatia pode ser revertido com lições de cidadania, cuidado e presença do poder público e ,principalmente, da população. O primeiro passo deve ser dado pelos órgãos de gestão pública municipal e estadual. Eles devem ser os grandes incentivadores do movimento e dar à população a garantia de bons serviços e a devida atenção no atendimento de seus problemas. A medida em que a população obter mais confiança na reprodução desses benefícios, ela mesma irá defendê-los e contribuir com a sua implementação e manutenção.

Em entrevista ao jornal "O GLOBO", o novo prefeito eleito anunciou o "Choque de Ordem" e defendeu a fiscalização e a segurança pública². Nesse discurso há muita esperança de dias melhores, mas há também algo para refletir. Não devemos esperar que o poder público tenha a boa vontade de fazer o seu trabalho. Precisamos de ação articulada para cobrar nossos direitos e disciplina para cumprir nossas responsabilidades.

Referências Bibliográficas

1 - Rio de Janeiro.Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro. Projeto Educação Urbana ensina jovens a respeitar e cuidar da cidade. Disponível em: <http://www.rio.rj.gov.br/pcrj/destaques/proj_educ_urbana.htm>. Acesso em: 18 jan. 2009.

2 - Rio de Janeiro. O Globo. Em entrevista ao Globo, Paes anuncia choque de ordem no Rio e diz que governará
para toda a cidade. Rio de Janeiro, 2008. Disponível em:
<http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/10/30/em_entrevista_ao_globo_paes_anuncia_choque_de_ordem_no_rio_diz_que_governara_para_toda_cidade-586198781.asp>. Acesso em: 18 jan. 2009

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