Esse texto vem um pouco atrasado e com um tom menos otimista, mas acredito ser necessário o registro. O título vem das máximas de meu amigo Milani. Ele fala que o combustível de bicicleta é o feijão, destacando o impacto zero deste modal.
Há mais de um ano comecei a andar de bicicleta e logo depois de algum tempo uma amiga do trabalho me questionou sobre a segurança desta pratica. Bom, sempre tive vontade de pedalar, mas meu pai sempre muito preocupado não aprovava essa prática. Só fui presenteado com uma bike quando muito pequeno para fins de diversão e aprendizado.
O motivo de retomar a atividade cicloviária veio a partir de minha mudança para a cidade de Contagem, dos conceitos de minha formação profissional, do incentivo de minha esposa Luciana e da vontade de pedalar todos os dias.
Trabalho no centro de Belo Horizonte e vou ao trabalho de metrô da estação Eldorado até a Central. Observando o googlemaps percebi que minha nova residência ficava a um raio de acesso adequado de bicicleta até a estação de metrô do Eldorado.
Antes de comprar a bike conversei com meus amigos de trabalho Lucas e Tiago a respeito do tipo de bicicleta que deveria adquirir e sobre as possíveis rotas a utilizar. Tive o cuidado de comprovar se a estação de metrô do Eldorado possuía algum suporte para a integração cicloviária. Dois conjuntos de paraciclos (um longe e outro perto da bilheteria) e uma placa safada informando que o metrô não se responsabiliza pelos danos trazidos as bicicletas é o que Metrô BH tinha a oferecer para os ciclistas.
Comprei a bike em um loja perto de casa por R$ 350, um capacete por R$ 35 e dois prendedores de bike por R$ 32.
Outra questão foi o armazenamento da bike no meu prédio. Inicialmente pensei no meu apartamento, mas vi que subir e descer 4 andares não era o exercício que eu procurava. Outra solução era deixar a bike em um pátio interno de uso público do meu condomínio. Aqui agradeço ao Tiago pelo incentivo e Aécio, o sindico do meu prédio, pela permissão para utilizar o pátio.
Na primeira semana foi um período de adaptação com a bicicleta, com a rota e com o trânsito. Aqui em Minas bicicleta com marcha é obrigatória, pois sem o recurso muitas rotas se tornam inacessíveis Apesar de todo o discurso pró ciclismo, da possibilidade de circulação de bicicletas dada pelo código de trânsito, as ruas e os motoristas não guardam espaço para o ciclista. Entender isso na pele só redobrou minha atenção com relação ao tráfego e a minha atitude na direção da bicicleta. Pedalo em velocidades seguras, reduzo nas esquinas, observo se há condições de fazer conversões, enfim fico ligado.
As pessoas que possuem contato comigo no trabalho, colegas e amigos, notaram a presença do capacete e começaram a perguntar. Quando souberam da minha prática cicloviária, muita gente ficou surpresa e positiva. Alguns receosos e preocupados. Em uma ocasião quando estava desprendendo a bike a um paraciclo fui abordado por um rapaz que estava na fila do ônibus no terminal Eldorado. Ele me perguntou se era seguro deixar a bike ali. Respondi a ele que já estava deixando a bike ali há quase hum ano e que nesse tempo só havia visto um caso de roubo de bike naquele paraciclo. Uma bike que não tinha sido presa em uma das rodas, que foi retirada. Alertei que era necessário prender a bike no paraciclo, observando a fixação do quadro e das duas rodas.
Um pouco depois do conselho dado ao promissor futuro ciclista tive minha bike roubada. Na volta do trabalho, chegando a estação do Eldorado, fiquei retido por causa de uma chuva torrencial e neste dia em particular, estava sem a minha capa e não pude esperar a chuva passar. Resolvi então deixar minha bike pernoitar na estação e pegar o ônibus que integra o terminal com o meu bairro. No dia seguinte recebi uma ligação do meu irmão, ele trazia a notícia que nossa avó tinha falecido. Bom, devido a isso só pude ir resgatar a bike dois dias depois. Chegando lá, não havia nada. Nem bike, nem sinal de arrombamento. Nada.
Olhando a placa de advertência eu lia a seguinte frase: Perdeu a bike? Se fudeu? O problema não é nosso, ele é todo seu.
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| Minha saudosa magrela |
Apesar de perder minha bike, tive um saldo positivo que relato em alguns pontos:
- Vivenciei algo muito bom. Andar de bicicleta no cotidiano é muito bom . A parte da manhã quando o trânsito é menos intenso e a brisa da manhã mais fria trazem uma sensação muito boa de tranquilidade.
- Pra andar de bicicleta é necessário um pouco de coragem e uma atenção cabulosa no trânsito. Não reproduza a lógica dos cabeças de pneu que circulam pelas nossas ruas e continue vivo.
- Aprendi que os planejadores e gestores dos equipamentos da estrutura cicloviária devem ter uma aproximação mais concreta com seus objetos de trabalho. No popular é: "Vamos andar de bicicleta !!!" Não adianta ser Doutor em ciclovia se você não abriga a bicicleta na pauta do seu cotidiano.
- Economizei dinheiro (a redução no custo da minha passagem pagou a bike e me deu alguns meses de economia), ganhei uma atividade física e mantive meu peso.
No futuro irei comprar uma bike velha e usada, colocar um câmbio Shimano e sair pedalando por aí. Por agora irei enviar pelo contato eletrônico do Metrô BH e da Metrominas a seguinte mensagem:
"Caros senhores,
Venho encaminhar uma crítica e uma recomendação sobre o tratamento que é dado ao ciclista e a integração modal entre o Trem Metropolitano de Belo Horizonte e a bicicleta. A crítica é referente a falta de paraciclos na maioria das estações e ao sistema de comunicação dada aos ciclistas que utilizam os paraciclos na estação do Eldorado. A falta de paraciclos traz uma redução significativa na promoção da integração da população residente no entorno das estações. No caso da comunicação da estação Eldorado, a placa que informa a isenção da responsabilidade do Metrô sobre as bicicletas estacionadas, representa em uma estratégia negativa de atração de usuários para esse tipo de integração. Recomendo a instalação de câmeras de vigilância que além de fazer a vigilância dos espaços da estação podem realizar a vigilância da área de paraciclos. Se já houverem câmeras estudar se é possível a relocação da área de paraciclos na proximidade das mesmas. Desta forma a nova placa pode ter o seguinte texto: "As bicicletas aqui estacionadas possuem vigilância por meio de câmeras"
Atenciosamente,
Mauro Cesar."


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